Os Amigos de Raoul Follereau... em Ermesinde, na luta contra a lepra e todas as lepras...
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
VISITA DE NATAL AOS DOENTES DO ROVISCO PAIS, 21 de Dezembro de 2013 !
Relato da visita aos doentes do Rovisco Pais, em 21 de Dezembro de 2013, feito por um jovem de 17 anos.
Palavras escritas com o coração cheio de amor !
Palavras escritas com o coração cheio de amor !
Hoje, dia 24 de Dezembro,
escrevo com muito carinho e alegria, mas, ao mesmo tempo tristeza e
preocupação, por saber que o Natal dos doentes, que visitei dia 21 de Dezembro
junto com o Senhor João, Director Administrativo da Associação Portuguesa Amigos
de Raoul Follereau, com o Carlos, com a Graça, com o Pedro Ramalho e com a
menina Joana, vai ser igual a qualquer outro dia do ano. Ou seja, não sendo um
dia especial, partilhado com aqueles que mais amamos, que mais queremos perto
de nós… Sendo só mais um dia, dito por alguns. Outros até esperando a morte.
Isto não é triste? Isto não toca o coração das pessoas? Pois é, aquelas que
realmente têm coração percebem isto e fazem algo para mudar! Porque isto não é
vida para ninguém. A doença deles não os fazem diferentes da sociedade, foi a
própria que os tornaram diferentes e agora nota-se a desgraça e a miséria que
eles se encontram e as pessoas, mesmo assim, não quererem saber deles para
nada.
Eu entendo que eles estejam
num sítio de difíceis acessos. Ou é longe, ou é complicado de encontrar, ou é
no “fim do mundo”… Gente, o que eu não entendo é o porquê de não fazerem um
esforço para ultrapassarem esses obstáculos! O que é que custa dar apenas a
presença, que é o que eles precisam, pois não têm alguém com quem possam
desabafar, com quem possam falar, com quem possam contar. O que é que custa?
Não custa, praticamente, nada! Falta de companhia e de afecto é o que mais
eles, infelizmente, suportam. Isto não continua a ser triste?
Nós temos os nossos
problemas. Nós temos os nossos obstáculos. Mas ninguém tem as mãos em garra,
ninguém tem a cara deformada, ninguém tem só uma perna, ninguém tem falta de
audição junto com falta de visão, ninguém tem isto tudo misturado ou quase tudo
pois não? Então porque é que continuam a se queixarem que os problemas que
aparecem na vida são catastróficos se há pessoas com problemas maiores e mesmo
assim sorriem e fazem a festa com apenas a presença de pessoas, nem que seja só
um dia por ano. Porquê? Há que ter em consideração que estes doentes não
usufruem da mesma qualidade de vida da maior parte da vida das pessoas que
existe em Portugal.
Estas pessoas,
maioritariamente, possuem grandes carros, grandes GPS’s, grandes roupas,
grandes acessórios, e etc. Porquê é que não fazem o esforço para “perder” um
dia das suas vidas para fazerem uma pequena, mas que para os doentes é gigante,
visita? Eu sei que referi que o sítio é difícil de se encontrar… Mas o GPS
serve para quê? Não custa nada digitar “Hospital Rovisco Pais, Tocha” e irem lá
ter! Sociedade, se vocês tivessem, realmente, coração fariam tudo e mais alguma
coisa para proporcionar do melhor para estes enfermos que só precisam de
carinho e afecto! Em troca, recebem o sorriso deles e boa disposição. Não é
óptimo saber que fazemos pessoas felizes? Vocês não acham o mesmo? As boas
acções são sempre bem-vindas e a consciência tranquila de que fizeram o
correcto, não é importante? Pois é!
Há que aproveitar para dizer
que muitos deles disseram que a maior prenda que tiveram no Natal foi, apenas,
a nossa companhia no dia 21. Acreditem que é emocionante ouvir uma coisa
destas!
Foi a minha segunda visita à
Tocha. E eles ainda se lembravam todos de mim. É mesmo fantástico saber que
posso mudar, pelo menos, num dia a vida daquelas GRANDES pessoas! Receberam-me
de braços abertos para qualquer tipo de afecto e só cumpri com a minha
obrigação como cidadão, dei-lhes o meu coração! Pois o mais importante não é olhá-los
com os olhos, mas sim olhá-los com o coração! Eles percebem bem os nossos
afectos e como tal, retribuem sempre com o sorriso, sempre com as melhores
palavras do mundo, palavras que um bom coração escute e emociona-se com um
simples brilhozinho nos olhos.
Cada um com a sua história!
O senhor Abel sempre o que fala melhor e mais ensina. O senhor José do Carmo,
bons gostos que ele tem, benfiquista sempre. Tão engraçado! O senhor Gil,
sempre com a sua companheira, infelizmente (a sua cadeira de rodas). O senhor
Antunes, o dedicado ao terreno que cultiva. O senhor Monteiro, que da primeira
vez que lá fui não o tinha conhecido e conheci-o agora. Grande homem das
mulheres, muito atiradiço (parto-me a rir com ele). O senhor Fernando, grande
exemplo. Uma das melhores pessoas lá está! Mesmo não vendo, sempre a sorrir e
grande defensor do senhor Carlos. A dona Amélia, com as suas limitações, mas
sempre com palavras fantásticas. A dona Alzira, uma das mais velhas que lá está
e sempre abençoada. A dona Ana, grande mulher! Chamo-lhe a mulher do sorriso,
está-se sempre a rir e é contagiante, portanto, faz com que as pessoas que
estejam perto dela riam-se também! E a dona Emília, momentos que ela partilha
connosco e eu sempre a identificar-me com ela (característica que já tinha
referido no primeiro texto que fiz). Infelizmente fiquei a saber duma coisa que
me preocupa. Rezo por todos, mas especialmente para esta grande mulher que
tanto passa não só por causa da lepra mas também por causa do cancro que tem.
Todos são especiais para mim e cada uma com o seu lugarzinho no meu pequeno
coração que sabe amá-los e que está disposto a comprometer-se a nunca deixa-los
e qualquer oportunidade para ir lá visitá-los, nunca a perder e aproveitá-la ao
máximo.
As vossas vidas são boas,
certo? Mas… E daqueles que mais precisam, não é formidável e maravilhoso sermos
nós a tornar as suas vidas boas? Sinceramente, nós é que temos que fazer a
diferença! E para tal, é preciso ter coração para amá-los e força de vontade
para mudar este mundo discriminante, que tanto faz mal às pessoas que tanto
merecem o bem!
É véspera de Natal e eu só
imagino o péssimo Natal, se é que se pode chamar assim, que eles vão ter… HÁ
QUE PENSAR NISTO (…)
Diogo Nogueira
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Visitas aos utentes do Rovisco Pais (Tocha)
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
NATAL 2013 !
Para todos os que nos ajudam a caminhar e a lutar contra a lepra e "todas as lepras" (cf. Raoul Follereau), votos de um Santo Natal de Jesus Cristo !
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APARF-Grupo Local de Ermesinde
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
domingo, 18 de agosto de 2013
TESTEMUNHO DA PRIMEIRA VISITA AOS RESIDENTES DO ROVISCO PAIS (17 de Agosto de 2013) !
Testemunho do Diogo
(Um jovem de 17 anos...)
Hoje tive das melhores sensações da minha vida. É certo que eu morri de nervosismo na viagem até lá!
(Um jovem de 17 anos...)
Hoje tive das melhores sensações da minha vida. É certo que eu morri de nervosismo na viagem até lá!
Não sabia o que me esperava.
Tinha uma mínima ideia do que me reservava, mas nunca pensei que fosse tão
extraordinário. Valeu as horas de viagem! Valeu tudo só para os verem felizes.
Só para ver um mero sorriso sincero que esboçava na cara de cada um deles, é
fantástico! É uma vitória, é como se tivesse uma missão de um dia (de vários
que terei) e essa mesma missão fosse cumprida!
Cada gesto, cada abraço,
cada sorriso, cada desabafo, cada história, cada memória, cada brincadeira,
cada beijo, cada aperto de mão, cada conversa, cada vídeo, cada foto, cada
descoberta, cada confiança, cada visita, cada carinho, cada mimo, cada
maravilha, cada palavra, cada ensino, cada aprendizagem, cada amizade criada.
Tudo ficará recordado e será sempre lembrado com saudade no meu coração. É
verdade que isto nunca mais acabará! Eles são como se ficassem a ser uma
família. Uma família pela qual necessita do apoio de muita gente, necessita da
atenção de muita gente, necessita apenas de um olhar, de um ouvido para
escutar, de um toque para se maravilhar.
Eles sim, são um exemplo
para a comunidade cruel deste país, deste mundo que só os querem no abandono e
no esquecimento! Eles sim, ensinam o que é a vida. Ensinam o que é a amar.
Ensinam o que é respeitar. Ensinam o que é dar valor a coisas mínimas, e coisas
tão grandes (tal como é a vida). A sermos felizes e aceitarmos a nossa vida
como ela é. Do que é que adianta sofrer porque a nossa vida é isto ou aquilo?
Não vale a pena! Há pessoas bem piores que nós a passarem por coisas bem
horríveis. Aprendi a olhar para a minha vida de maneira diferente. Começar a
valorizá-la mais! Porque, ao menos, posso agradecer por ter saúde e ter possibilidade
de ter uma vida perfeitamente normal (não quero dizer que a vida deles seja
anormal). Visto que eles nem isso podem viver...
Admiro imenso a coragem de
cada um deles. Eu pergunto-me: “Como é que é possível alguém viver nas
condições que vivem?”. Aquilo não é lugar nenhum para se ter pessoas como estas
que vi! Mas lá está, aquele sítio passa a ser a casa de muitos doentes que por
lá passam e que muitos… por lá ficam! Eles do tão pouco que têm, fazem muito!
Felizmente, tive a
oportunidade de já ter ajudado dois leprosos a chegarem ao sítio que
pretendiam. A primeira foi a maravilhosa senhora Emília Estrada, que estava na
sua cadeira de rodas e eu fiz questão de lhe levar ao refeitório. E o segundo
foi o senhor Fernando Silva que uma jóia de senhor, canta que é uma maravilha
de se ouvir, e como é cego e dei-lhe o meu apoio, o meu braço e levei-o ao
refeitório também! Foi deslumbrante ver o sorriso na cara deles. É uma sensação
tão boa mas tão contagiante que nos fica um sorriso na cara também e é inevitável
arranca-lo.
Conheci a história de cada
um, tive a oportunidade disso também e foi como um abrir de olhos! Aprende-se
muito na companhia daqueles doentes que tanto precisam das pessoas para lhes
alegrar a vida! Sinto que fiz o que tava ao meu alcance. Fui eu mesmo e tive as
melhores palavras que alguém me podia ter dito. Eles recebem sempre da melhor
maneira possível, fui tão bem recebido mas tão bem recebido que até custou vir
embora. Aquela gente precisa imenso de carinho, mimo, atenção… tudo o que um
ser-humano precisa para se sentir amado e sentir-se acima de tudo, um
SER-HUMANO como todos os outros. Porque não é a lepra que os faz inferiores de
ninguém, pelo contrário… Eles são é superiores pela maneira de estar, pela
maneira de pensar, pela maneira de viver, pela maneira de enfrentar a
realidade, pela maneira de falar. São todos um exemplo para mim! Cada um com o
seu valor! Por exemplo, identifiquei-me com o senhor António Costa, que tanto
desabafou da sua vida e que cheguei à conclusão de o compreender por certos
motivos que também passei e passo como ele e não só adorei a dona Emília
Estrada mas também reparei que ela é tão parecida com a minha falecida avó, foi
intenso o momento que passei com ela! Tudo nela assemelha-se com parecenças com
a minha querida e eterna avó. Olhei-lhe com uns olhos diferentes, provavelmente
mais especial do que os outros… Apesar de esta gente ser muito especial e eu
nunca me quererei abandonar deles. Para lhes fazerem felizes? Eu estarei aqui
para isso mesmo!
O mais importante na nossa
vida também é a felicidade dos outros e nada melhor do que prestar um bocado de
mim para lhes proporcionar bons momentos e lhes fazer sentirem contentes,
alegres! Porque o melhor da vida é saber que a quem nos são tanto nós fazemos
felizes! Tal como Raoul Follereau diz: “SER FELIZ É FAZER FELIZ.” E isso eu
nunca poderei negar que aqueles doentes são das melhores companhia que eu
alguma vez pude ter em toda a minha vida!
Acredito que 18-08-2013 vai
ficar guardo no meu coração como um dos melhores dias da minha vida. Porque sei
que fiz a minha obrigação, cumpri com o meu dever como cidadão deste mundo e
fico felicíssimo só de saber que eles gostaram tanto da minha presença, visto
que é o que eles mais precisam! Agradeço imenso ao Carlos que tão bem me fez
companhia e me apresentou aos seus doentes e tão bem faz o que faz de melhor,
AMAR! É incrível como num simples “Olá!”, os doentes reconhecem logo que é o
Carlos que ali está.
Senhor António, Dona Amélia,
Dona Emília, Dona Ana, Dona Alzira, Senhor Abel, Senhor Manuel e o Senhor
Fernando marcaram-me pela positiva e marcaram o seu lugar no meu coração e
agora… Ninguém pode duvidar disso, tal como eu que nunca esquecerei das
palavras, dos sorrisos e de tudo o que me proporcionaram. Só tenho de lhes
agradecer por me terem feito mudar, por me terem feito crescer ais um pouco e
pensar que a vida não é para ser desperdiçada mas sim para ser aproveitar que
temos saúde e corpo para curti-la. Este foi o primeiro dia que fui lá ao
Hospital, mas com certeza absoluta… Não será o último a ir lá! Por alguma razão
é que disse a todos os doentes que não se iriam ver livres de mim tão cedo… Se
eles precisam de gente, porque não estar lá para dar uma mão? Porque não dar um
sorriso? Qualquer coisa por eles! Pela felicidade deles J
UM DOS MELHORES DIAS DA
MINHA VIDA, IMPOSSÍVEL ESQUECER ESTES MEUS NOVOS AMIGOS QUE ME SÃO TÃO
ESPECIAIS!
Diogo Nogueira
S. Pedro Fins (Maia)
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