domingo, 18 de agosto de 2013

TESTEMUNHO DA PRIMEIRA VISITA AOS RESIDENTES DO ROVISCO PAIS (17 de Agosto de 2013) !

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Testemunho do Diogo
(Um jovem de 17 anos...)

Hoje tive das melhores sensações da minha vida. É certo que eu morri de nervosismo na viagem até lá!
Não sabia o que me esperava. Tinha uma mínima ideia do que me reservava, mas nunca pensei que fosse tão extraordinário. Valeu as horas de viagem! Valeu tudo só para os verem felizes. Só para ver um mero sorriso sincero que esboçava na cara de cada um deles, é fantástico! É uma vitória, é como se tivesse uma missão de um dia (de vários que terei) e essa mesma missão fosse cumprida!
Cada gesto, cada abraço, cada sorriso, cada desabafo, cada história, cada memória, cada brincadeira, cada beijo, cada aperto de mão, cada conversa, cada vídeo, cada foto, cada descoberta, cada confiança, cada visita, cada carinho, cada mimo, cada maravilha, cada palavra, cada ensino, cada aprendizagem, cada amizade criada. Tudo ficará recordado e será sempre lembrado com saudade no meu coração. É verdade que isto nunca mais acabará! Eles são como se ficassem a ser uma família. Uma família pela qual necessita do apoio de muita gente, necessita da atenção de muita gente, necessita apenas de um olhar, de um ouvido para escutar, de um toque para se maravilhar.
Eles sim, são um exemplo para a comunidade cruel deste país, deste mundo que só os querem no abandono e no esquecimento! Eles sim, ensinam o que é a vida. Ensinam o que é a amar. Ensinam o que é respeitar. Ensinam o que é dar valor a coisas mínimas, e coisas tão grandes (tal como é a vida). A sermos felizes e aceitarmos a nossa vida como ela é. Do que é que adianta sofrer porque a nossa vida é isto ou aquilo? Não vale a pena! Há pessoas bem piores que nós a passarem por coisas bem horríveis. Aprendi a olhar para a minha vida de maneira diferente. Começar a valorizá-la mais! Porque, ao menos, posso agradecer por ter saúde e ter possibilidade de ter uma vida perfeitamente normal (não quero dizer que a vida deles seja anormal). Visto que eles nem isso podem viver...
Admiro imenso a coragem de cada um deles. Eu pergunto-me: “Como é que é possível alguém viver nas condições que vivem?”. Aquilo não é lugar nenhum para se ter pessoas como estas que vi! Mas lá está, aquele sítio passa a ser a casa de muitos doentes que por lá passam e que muitos… por lá ficam! Eles do tão pouco que têm, fazem muito!
Felizmente, tive a oportunidade de já ter ajudado dois leprosos a chegarem ao sítio que pretendiam. A primeira foi a maravilhosa senhora Emília Estrada, que estava na sua cadeira de rodas e eu fiz questão de lhe levar ao refeitório. E o segundo foi o senhor Fernando Silva que uma jóia de senhor, canta que é uma maravilha de se ouvir, e como é cego e dei-lhe o meu apoio, o meu braço e levei-o ao refeitório também! Foi deslumbrante ver o sorriso na cara deles. É uma sensação tão boa mas tão contagiante que nos fica um sorriso na cara também e é inevitável arranca-lo.
Conheci a história de cada um, tive a oportunidade disso também e foi como um abrir de olhos! Aprende-se muito na companhia daqueles doentes que tanto precisam das pessoas para lhes alegrar a vida! Sinto que fiz o que tava ao meu alcance. Fui eu mesmo e tive as melhores palavras que alguém me podia ter dito. Eles recebem sempre da melhor maneira possível, fui tão bem recebido mas tão bem recebido que até custou vir embora. Aquela gente precisa imenso de carinho, mimo, atenção… tudo o que um ser-humano precisa para se sentir amado e sentir-se acima de tudo, um SER-HUMANO como todos os outros. Porque não é a lepra que os faz inferiores de ninguém, pelo contrário… Eles são é superiores pela maneira de estar, pela maneira de pensar, pela maneira de viver, pela maneira de enfrentar a realidade, pela maneira de falar. São todos um exemplo para mim! Cada um com o seu valor! Por exemplo, identifiquei-me com o senhor António Costa, que tanto desabafou da sua vida e que cheguei à conclusão de o compreender por certos motivos que também passei e passo como ele e não só adorei a dona Emília Estrada mas também reparei que ela é tão parecida com a minha falecida avó, foi intenso o momento que passei com ela! Tudo nela assemelha-se com parecenças com a minha querida e eterna avó. Olhei-lhe com uns olhos diferentes, provavelmente mais especial do que os outros… Apesar de esta gente ser muito especial e eu nunca me quererei abandonar deles. Para lhes fazerem felizes? Eu estarei aqui para isso mesmo!
O mais importante na nossa vida também é a felicidade dos outros e nada melhor do que prestar um bocado de mim para lhes proporcionar bons momentos e lhes fazer sentirem contentes, alegres! Porque o melhor da vida é saber que a quem nos são tanto nós fazemos felizes! Tal como Raoul Follereau diz: “SER FELIZ É FAZER FELIZ.” E isso eu nunca poderei negar que aqueles doentes são das melhores companhia que eu alguma vez pude ter em toda a minha vida!
Acredito que 18-08-2013 vai ficar guardo no meu coração como um dos melhores dias da minha vida. Porque sei que fiz a minha obrigação, cumpri com o meu dever como cidadão deste mundo e fico felicíssimo só de saber que eles gostaram tanto da minha presença, visto que é o que eles mais precisam! Agradeço imenso ao Carlos que tão bem me fez companhia e me apresentou aos seus doentes e tão bem faz o que faz de melhor, AMAR! É incrível como num simples “Olá!”, os doentes reconhecem logo que é o Carlos que ali está.
Senhor António, Dona Amélia, Dona Emília, Dona Ana, Dona Alzira, Senhor Abel, Senhor Manuel e o Senhor Fernando marcaram-me pela positiva e marcaram o seu lugar no meu coração e agora… Ninguém pode duvidar disso, tal como eu que nunca esquecerei das palavras, dos sorrisos e de tudo o que me proporcionaram. Só tenho de lhes agradecer por me terem feito mudar, por me terem feito crescer ais um pouco e pensar que a vida não é para ser desperdiçada mas sim para ser aproveitar que temos saúde e corpo para curti-la. Este foi o primeiro dia que fui lá ao Hospital, mas com certeza absoluta… Não será o último a ir lá! Por alguma razão é que disse a todos os doentes que não se iriam ver livres de mim tão cedo… Se eles precisam de gente, porque não estar lá para dar uma mão? Porque não dar um sorriso? Qualquer coisa por eles! Pela felicidade deles J


UM DOS MELHORES DIAS DA MINHA VIDA, IMPOSSÍVEL ESQUECER ESTES MEUS NOVOS AMIGOS QUE ME SÃO TÃO ESPECIAIS!
Diogo Nogueira
S. Pedro Fins (Maia)

VISITA AOS RESIDENTES DO ROVISCO PAIS !

















terça-feira, 6 de agosto de 2013

quinta-feira, 4 de julho de 2013

ENCONTRO-CONVÍVIO COM OS ENFERMOS DO ROVISCO PAIS !... 30 de Junho de 2013

TESTEMUNHO 
 30 de Junho de 2013 
Confesso que ao ser convidada para ir visitar os nossos irmãos e amigos internados no Hospital da Tocha, não sabia o que me esperava. Há anos, li uma reportagem sobre este tema, e após pesquisa encontrei uma reportagem publicada no JN em 25 de Janeiro de 2009: “Abel Almeida, 83 anos, é um dos que sobreviveram à lepra, mas quiseram continuar a viver na antiga leprosaria da Tocha, em Cantanhede. É perito em maquilhar a revolta com humor. Não esconde as mãos sem dedos e parece recordar cada instante, desde a infância, quando a doença o transformou num presidiário. "Fiz-me um autodidacta, aprendi com a lei da vida: a pontapé e a soco". Nessa altura, viviam 21 leprosos no Hospital Rovisco Pais, alguns foram ficando pelo caminho, sucumbindo à doença, mas também à dor que lhes assolava a alma pelo abandono e pela rejeição. Neste momento, são 14 pessoas que vivem ali. O primeiro choque foi, sem duvida, aquele hospital frio, quase vazio de tudo e longe do nada, ali perdido, dentro de uma enorme área de terra, rodeada de arvores para que seja fácil esconde-lo da civilização... Apesar da preparação, não entendi, como não entendo, que em pleno xxi continue a existir o preconceito, o medo e a ignorância, relativa a esta doença, que faz com que se atirem para o isolamento seres humanos, com sentimentos, emoções e desejos, muito melhores do que muitos de nós, os normais! Sobre isto, o Sr. Abel, diz na mesma reportagem aos jornalistas, a quem tinha o gosto de servir de guia, sem ter medo de dar a cara marcada pela doença e sofrimento: “"É esta que tenho, quem não quiser olhar não olhe" e faz questão de esclarecer: "Não viemos de Marte! Somos diferentes só do ponto de vista físico!". Diferentes, apenas, do ponto de vista físico, apenas e só isso... Emocionei-me com todos, mas ficarei para sempre no meu coração com o Sr. Fernando, com a cara deformada pela doença, cego, mas sem sombra de revolta ou vergonha que canta e encanta, quando entoa a pedido do Sr. Carlos Santos: “ Eu sou o Pão Vivo que desceu dos Céus!” Nesta altura, as lágrimas rolavam pelo meu rosto, porque Deus, não me tirou, como a ele, a sensibilidade (um dos sintomas da doença) de as sentir nos meus olhos! Meu Deus, como sou injusta Contigo, quando reclamo com os (quase nenhuns) problemas com que me deparo no dia a dia e por fim a Dª Rosalina, uma linda Sra de cabelo branco, de 93 anos, vim a saber que, vaidosa, só assume ter 73 … com os pés amputados! Disse-me que lhe doíam os pés, olhei e vi o que restavam deles envoltos em gaze, para a consolar (?) disse que também me doíam os meus, Meu Deus, não sabia o que dizer e disse esta barbaridade, e ela para me ajudar disse: “coitadinha, mas também me doem muito os meus!” O que dizer mais? Apenas agradecer a quem me convidou para este Domingo, o Sr Carlos Santos e a todos os amigos que com ele colaboram na APARF, agradecer por mim, mas também por eles, pois são, sem duvida, as pessoas que mais se preocupam com o seu bem estar, porque família “nem vê-los!” como disse o Sr. José Gil! Obrigada! 
Lucia Peres Ricon