quinta-feira, 1 de julho de 2010

E ASSIM ESTIVEMOS UM DOMINGO COM OS ENFERMOS DE LEPRA, NA TOCHA!


Domingo de manhã, pelas 8h 30m saía de junto da casa do Grupo Local da APARF de Ermesinde, bem junto à igreja matriz, uma camioneta, gentilmente cedida pela Junta da Freguesia de S. Pedro Fins, em direcção à Tocha, Cantanhede.

Para esta autarquia que se fez representar pelo Amigo Sr. Alvarinho Sampaio (Tesoureiro) o nosso reconhecido OBRIGADO.

Ao motorista Sr. Benjamim também o nosso bem-haja pela simplicidade e simpatia.
Nela iam membros do Grupo Local da APARF, de Ermesinde (Mónica, Graça, Domingos, Pedro Sousa, Miguel e João), voluntários (o Nuno Pereira, o Vicente, o Lobão, o Hélder, a Isabel e a Ana Luísa) e amigos das vítimas da lepra e de todas as lepras (Olinda e Patrícia Sousa, Pinto e esposa, Aninhas, Emília (pioneira desta luta em Ermesinde) o Filipe e os Pais, duas senhoras de Sampaio e a Albertina (uma senhora do Porto que quer ser voluntária em África).
Após a passagem da ponte do Freixo eram todos convidados a uma oração matinal.
A razão da nossa ida até junto de enfermos tão especiais era a todos explicados, se bem que muitos já saibam bem o porquê destas visitas-convívios anuais na Tocha.
Mas iam alguns cuja entrega à causa ainda é recente... e também os novos acompanhantes - amigos, precisavam saber a finalidade de tal viagem.
Era para estarmos com eles (os enfermos), ouvirmos as suas preocupações e sobretudo, para além de os fazermos sorrir, com a nossa alegria, deveríamos, acima de tudo, dar-lhes o nosso tempo e escutá-los (diferente de ouvir).
Lá chegados saímos da camioneta e entramos no Hospital Rovisco Pais para uma primeira saudação aos doentes e a todos deixarmos uma lembrança concebida por uma jovem designer (voluntária).
Aí senti algum mal-estar e inquietação interior muito forte - alguns que nos conheciam muito bem, por razões de saúde, já têm muita dificuldade em termos auditivos e visuais.
O ícone dos enfermos - o Sr. Abel nem conheceu os seus amigos, na primeira abordagem... insistimos e foi possível o reencontro de amigos.
A D. Emília (uma senhora - doente, muito linda) perturbou-me porque afirmou: "vocês são as pessoas mais importantes para nós" - quanta honra e quanta responsabilidade...
Tornamo-nos eternamente responsáveis por aqueles que cativamos como nos diz St. Exupery.
Seguiu-se após a primeira saudação a celebração da Eucaristia, momento lindo em que fazemos memória do AMOR DE DEUS por nós, na capela do Hospital, sob a presidência do P. Alexandre, sendo concelebrante o P. António Carlos e o P. Gregório (antigo Presidente da Direcção da APARF).
Na celebração orei ao SENHOR por todos, e são muitos, graças a Deus, os voluntários desta causa e que, pelas mais diversas razões não puderam acompanhar-nos nesta visita.
São de Ermesinde, Susão e Valongo.
São os DOARES de tantas comunidades próximas de Ermesinde e seus Párocos, tão solícitos e generosos na abertura à CAUSA DA LUTA CONTRA A LEPRA E TODAS AS LEPRAS.
Por todos rezei e pedi as melhores bênçãos de Deus.
Almoçamos e após a refeição continuamos a nossa visita aos doentes - afinal a razão da nossa ida até lá.
Fomos ao núcleo habitacional onde saudamos e cantamos para a nossa querida D. Ana (quais rouxinóis a cantar!).
E enquanto isso acontecia o arraial popular continuava junto à entrada principal do Hospital e eu e outros íamos falando aqui e ali com este e aquela doente ou amigo da APARF.
Olho ao meu lado e sou surpreendido (ou não...) pelo membro do Grupo APARF o Miguel que está já há algum tempo numa amena e saudável cavaqueira com o Sr. José do Carmo (doente) e noto uma grande cumplicidade e atenção. O Miguel não se cansa de o escutar - isso mesmo ESCUTA-O, dá-lhe o seu tempo, a sua atenção. Não resisto e tiro uma foto que retrata a forma como se deve estar com estes FILHOS DE DEUS - à escuta... As suas "histórias de vida" são um manancial de conhecimento e
sentido para a nossa Vida. O Miguel entende-o muito bem e deu um belo testemunho neste Domingo. Eu vi. E são estes valores HUMANOS DE SOLIDARIEDADE, RESPEITO E SENTIDO DE SERVIÇO que o Miguel tem procurado transmitir aos seus filhos e de modo especial (porque tenho testemunhado) ao João que é também um voluntário muito dedicado e com grande sensibilidade (filho mais novo).
Num balanço geral eu diria que todos estiveram muito bem, mas o testemunho que mais me tocou nesta visita-convívio (desta vez), foi o do Miguel, membro do Grupo APARF há pouco mais de um ano e que SERVE ESTA CAUSA com um sentido e com um coração enorme.
E ele que me diz que eu o enganei (outras conversas...) ainda bem que o enganei!
Mas não me enganei a mim próprio, muito melhor, DEUS NUNCA SE ENGANA NAS SUAS ESCOLHAS! (através de mim Deus escolheu-o).
AMAR-AGIR é um lema proposto por Raoul Follereau e todos deram um pouco de si, àqueles a quem a VIDA pouco proporcionou.
Na foto:
A cumplicidade do Miguel (membro do grupo APARF de Ermesinde) e do Sr. José do Carmo (enfermo)

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