quarta-feira, 5 de maio de 2010

O GRUPO LOCAL DE ERMESINDE E O 57ºDIA MUNDIAL DOS LEPROSOS !


Disse Raoul Follereau em 1967: “Um país não é um grande país por ser forte; um país não é um grande país por ser rico; um país só é um grande país se for capaz de muito amor”.

Passados 43 anos desta mensagem deixada pelo “Apóstolo dos Leprosos” que inspira a APARF na sua acção, esta mensagem continua muito actual e verdadeira.
A forma como se viveu em Ermesinde o 57º Dia Mundial dos Leprosos, prova isso mesmo.
Não foi apenas o Domingo 31 de Janeiro, o dia da celebração mundial em prol dos “pobres mais pobres”, mas, como todas as grandes celebrações, a véspera do grande dia foi também um dia de celebração.
E celebrar aqui ganha mais sentido ainda, porquanto só se celebra acontecimentos grandes no caso - o AMOR.
AMOR para com aqueles que nada têm, são esquecidos e não “interessam” - os enfermos de lepra e as vítimas de todas as lepras.
E assim, esta jornada de AMOR, começou bem cedo - para alguns voluntários do serviço fraterno em prol dos leprosos ela começou aí pelas 7h da manhã no Santuário Diocesano de Santa Rita, que muitos invocam como a Advogada das causas impossíveis e que para as possíveis (acabar com a lepra e todas lepras) o homem pode por si, basta abrir o coração e fazer da sua vida uma utilidade para os outros, operando o milagre da partilha.
Os que aqui estiveram fizeram-no desde aquela hora matinal até ao pôr-do-sol, debaixo de um frio muito difícil mas que aqueceu o coração.
Aqui até o Miguel, uma criança de 8 anos quis estar e no seu dizer de criança: “…ó avó quando me vens buscar, para eu também ir para o peditório…”. Muitos lhe sorriam e faziam questão de colocar a sua oferta no cofre que esta criança tinha bem encostado ao peito.
Também na bela e grande igreja Matriz de Ermesinde ali estavam a postos muitos outros e outros voluntários e voluntárias, a sorrir aos que se dirigiam para as celebrações e deles receberem outros sorrisos, traduzidos na alegria de partilhar.
Na semana anterior um dos voluntários que tinha por missão sensibilizar, afirmava numa celebração: “…há quatro coisas que se podem fazer pelos leprosos: a primeira é acolher com simpatia a informação à porta da igreja; a segunda é ler com atenção a mesma; a terceira é a nossa oração por eles e finalmente a quarta é fazermos da nossa vida a partilha…”.
Outros voluntários apareceram à porta da igreja e ao verem os seus Amigos em SERVIÇO sorriram e quiseram colaborar.
O pároco deu à causa e à celebração deste dia uma ênfase muito especial e ia-se informando como corria a campanha.
E aqui aconteceu algo que não queremos esquecer. A avó de um jovem voluntário agora residente no Luxemburgo, o nosso Ricardo Barros, e que viveu um momento dramático de falta de saúde, entregava uma ambulância de cartão com donativos e com uma lágrima teimosa caindo, cheia de alegria a entregava dizendo: “…é do meu neto, que tantas vezes ajudou na campanha e que agora lá longe bem recorda esses tempos e continua a amar a causa e os enfermos de lepra…”. Belo o gesto desta avó e deste neto. Deus há-de dar aos dois a justa recompensa.
Ao mesmo tempo na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, das Irmãs Missionárias do Bom Pastor, acontecia algo de semelhante – voluntários e voluntárias dando o seu melhor em prol desta causa, deste ideal.
Mas não se confinava à cidade de Ermesinde este dia em que as vítimas da lepra e de todas as lepras eram lembradas.
Na vizinha paróquia de Valongo, o Grupo de Jovens de S. Mamede, incentivados pelo seu pároco e animadores, também eles, davam o exemplo, sensibilizando a comunidade e dela recebendo provas de carinho.
E na Capela do Lugar de Susão (paróquia de Valongo) o Grupo de Jovens Nova Estrela, mais uma vez levava a cabo o seu SERVIÇO FRATERNO.
Estes dois grupos organizaram-se, pedindo ao grupo local de Ermesinde o material não só para vender e/ou oferecer mas também de sensibilização – informação, imagens, etc.
Merecem o nosso aplauso e simpatia pelo gesto de dádiva.
Foram muitas horas nos dias 30 e 31 de Janeiro que muitos amigos dos enfermos de lepra prestaram um SERVIÇO FRATERNO tão dedicado e empenhado em favor destes irmãos tão esquecidos e tão pobres – os nossos queridos enfermos de lepra e as vítimas de todas as lepras.
Nestes dias o AMOR triunfou sobre essa “lepra” dos nossos dias tão devastadora – o egoísmo.
E se em Ermesinde os voluntários deste ideal têm já provas dadas e são muitos, outros, seguindo o seu testemunho, foram verdadeiras revelações e deram também muito de si.
É que, de facto, o exemplo é um “gigante” diante das palavras, verdadeiros “anões”.
Aqueles com o seu sentido de SERVIÇO contagiaram estes. É a mensagem de Raoul Follereau: “a epidemia do AMOR”, a concretizar-se.
E se os enfermos de lepra mereceram neste dia a nossa oração e acção, uma palavra para todos aqueles e aquelas que operaram o “milagre da partilha” – os doadores.
Para eles, nestes tempos tão difíceis, a nossa palavra mais especial de gratidão (“memória do coração”) pela generosidade e pelo sorriso que nos ofereceram.
Só nos resta dizer a todos – OBRIGADO.
Mas porque era dia de celebrar, ainda houve lugar para um “jantar de combate”, na sala da casa que uma amiga especial nos permite usar, há já alguns anos e a quem queremos manifestar mais uma vez a nossa gratidão – a Arqt.ª Fernanda Lage.
Nesse “jantar de combate”, para o qual todos os voluntários foram convidados, aqueceu-se o estômago com uma sopa bem quente que tão bem soube e umas pizzas e outras guloseimas que nos ajudaram a retemperar as forças depois de uma jornada tão intensa.
E finalmente o “parabéns a você” neste 57º Dia Mundial dos Leprosos com o partilhar de um bolo feito à medida da celebração e do dia, em que recordamos esses irmãos tão queridos de todos nós.
A todos os que ajudaram a viver este dia de forma tão intensa e que se doaram (Grupo Local da APARF de Ermesinde, voluntários e voluntárias) ou partilharam (doadores), a todos os que nos incentivaram – sacerdotes e religiosas, jornal “A Voz de Ermesinde” e todos os outros que se cruzaram connosco e nos sorriram BEM HAJAM.
“É preciso escolher: saber viver ou não viver”
Só a CARIDADE salvará o mundo.
Porque o sonho comanda a vida dos homens.
Que o sonho de celebrar o 1º Dia Mundial do Mundo sem Lepra, esteja sempre presente na nossa mente e atitude de vida.


P’lo Grupo Local da APARF de Ermesinde
Carlos Santos
Fonte: "O AMIGO DOS LEPROSOS"