domingo, 24 de janeiro de 2010

PARÓQUIA DE S. LOURENÇO DE ERMESINDE, ACÇÃO DE SENSIBILIZAÇÃO !


No último Domingo de Janeiro de cada ano, ocorre o Dia Mundial dos Leprosos, instituído pela ONU, em 1954, a pedido de Raoul Follereau, o «Vagabundo da caridade» e Apóstolo dos Leprosos.
A Lepra não é hereditária como se julgou durante séculos, mas contagiosa, pois passa de uma pessoa afectada a uma outra “susceptível”. O contágio dá-se em ambientes e entre populações que sofrem de desnutrição, sem acesso a água potável e portanto com baixos padrões de higiene. O bacilo de Hansen (nome do médico norueguês que, em 1873, identificou o bacilo causador da Lepra) tem um longo período de incubação até à sua manifestação (manchas na pele). Por isso, não havendo vacina, torna-se difícil a erradicação da doença, pois os meios de prevenção (alimentação, água potável e higiene) faltam em vastíssimas regiões de muitos países. A Lepra continua, portanto, a ser “filha primogénita da pobreza”, como lhe chamava Follereau.
O Dia Mundial dos Leprosos de 2010 será mais uma oportunidade para reflectir sobre a situação de sofrimento das vítimas desta doença, para partilhar com elas alguns bens, para ajudar a tratar as suas feridas, a aliviar a sua indigência, a reabilitar e reinserir quem está marginalizado por causa desta enfermidade.
Actualmente há tratamento e cura para a Lepra e são tratados, efectivamente, cerca de um milhão de doentes por ano. Quando a doença é diagnosticada e tratada a tempo, previne-se a formação de úlceras, a afectação do sistema nervoso periférico, a produção de lesões graves e amputações nos pés e nas mãos e evita-se a cegueira. No entanto, a pobreza, as injustiças sociais, a ignorância, as guerras e as calamidades naturais causam o aparecimento de 400/500 mil casos novos por ano.
Em países de expressão oficial portuguesa como Angola, Moçambique e Brasil, a lepra ainda é endémica. Em Portugal, felizmente, esta doença não constitui problema de saúde pública, registando-se, todavia, 2/3 casos novos por ano. Contam-se por poucas centenas os leprosos e ex-leprosos nascidos em Portugal; são pessoas idosas cuja situação ao nível da saúde está completamente controlada. Na Região Centro Litoral, tradicionalmente, a mais afectada do País, foi construído o Hospital Rovisco Pais (Tocha/Cantanhede), onde se tratam e são acolhidos leprosos e ex-leprosos.
Inspirada na vida e obra de Raoul Follereau, o homem que dedicou 50 anos da sua vida a esta causa, orientando a sua acção sob o lema “combater a Lepra e todas as causas de exclusão social” a APARF [Associação Portuguesa Amigos de Raoul Follereau] é bem conhecida e actuante entre nós. Juridicamente, é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, com estatuto de Utilidade Pública (Pessoa Colectiva nº 501 802 282; Conta Bancária: Nº 0557030331431 [CGD Olivais/Lisboa] NIB: 0035 0557 0003 0331 43165). O Grupo Local de Ermesinde, integrado principalmente por jovens, dispõe-se a prosseguir até à vitória final a guerra contra a Lepra. Eles contam com o nosso apoio e generosidade. E nós contamos com o seu entusiasmo.

In: "Igreja Viva" (Boletim da Paróquia de S. Lourenço de Ermesinde

PS: Na foto um voluntário da APARF, o futuro médico Nuno Vicente denunciando a existência da doença, numa acção de sensibilização da comunidade paroquial de Ermesinde.

Foto: Abílio Cardoso